O homem integral – 8

Fobia social

Pressionado pelas constrições de vária ordem, exceção feita aos fenômenos patológicos, na área da personalidade, o indivíduo tímido, desistindo de reagir, assume comportamen­tos fóbicos.

Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-o e gerando-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encon­tre.

A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando-se.

Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alter­nâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência. Nem mes­mo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão de já não lhe sendo necessário fazer maiores esfor­ços para conseguir, considera-se sem finalidade que justifi­que prosseguir.

Os estados fóbicos desgastam-lhe os nervos e conduzem-no às depressões profundas. São vários estes fenômenos no comportamento humano.

Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pou­co e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pes­soas, retraindo-se, isolando-se.

A princípio, apresenta-se como forma de mal-estar, de­pois, como insegurança, quando o homem é conduzido a en­frentar um grupo social ou o público que lhe aguarda a pre­sença, a palavra.

O grau de ansiedade foge-lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.

A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natu­ral, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao traba­lho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque de­sarmonia interior com reflexos físicos negativos.

Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando-se patológica.

A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assi­natura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar… O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.

Em algumas circunstâncias, quando o processo se encon­tra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam-no, facultando-o somente relaxar-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.

A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.

O homem é o único animal ético existente.

Para adquirir a condição de uma consciência ética é con­vidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compre­ensão existencial.

Aprofundando-se no exame dos valores, distingue-os. passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porquanto pretende constituir-lhe a felicidade.

A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, apli­ca outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.

A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essen­cial ao progresso ético.

Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão in­diferente, perniciosa.

As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbi­ca, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.

Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apre­sentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de for­ças morais.

Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixa­das à margem, desconsideradas. O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta-se-lhes como alternativa saudável, por poupar-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.

Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, re­ceosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.

Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimen­tes, se associam aos pacientes, complicando-lhes o quadro e empurrando-os para as psicoses profundas, irreversíveis.

A desumanização do homem, que se submete aos capri­chos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.

capítulo 9


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