O Homem Integral -38

O modelo organizador biológico

O homem é, deste modo, um conjunto de elementos que se ajustam e interpenetram, a fim de condensar-se em uma estrutura biológica, assim formado pelo Espírito — ser eterno, preexistente e sobrevivente ao corpo somático —, o perispírito — também chamado modelo organizador biológico, que é o “princípio intermediário, substância semi-material que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tais, num fruto, o germe, o perisperma e a casca”— e o corpo — que é o envoltório material.
Estes elementos mantêm um inter-relacionamento profundo com os respectivos planos do Universo.
O perispírito, também denominado corpo astral, é constituído de vários tipos de fluidos (energia) ou de matéria hiperfísica, sendo o laço que une o Espírito ao corpo somático.
Multimilenarmente conhecido, atravessou a História sob denominações variadas. Hipócrates, por exemplo, chamava-o Enormon, enquanto Plotino o identificava como Corpo Aéreo ou Ígneo. Tertuliano o indicava como Corpo Vital da Alma, Orígenes como Aura, quiçá inspirados no apóstolo Paulo que o referia como Corpo Espiritual e Corpo Incorruptível. No Vedanta ele aparece como Manontaya- Kosha e no Budismo Esotérico é designado por Kainarupa. Os egípcios diziam-no Ka e o Zend Avesta aponta-o por Baodhas, a Cabala hebraica por Rouach. É o Eidôlon do Tradicionalismo grego, o miago dos latinos, o Khi dos chineses, o Corpo sutil e etéreo de Aristóteles… Confúcio igualmente o identificou, chamando-o Corpo Aeriforme e Leibnitz qualificou-o de Corpo fluídico… As variadas épocas da Humanidade defrontaram-no e por outras denominações ele passou a ser aceito.
De importância máxima no complexo humano, é o moderno Modelo organizador biológico, que se encarrega de plasmar no corpo físico as necessidades morais evolutivas, através dos genes e cromossomos, pois que, indestrutível, eteriza-se e se purifica durante os processos reencarnatórios elevados.
Pode-se dizer, que ele é o esboço, o modelo, a forma em que se desenvolve o corpo físico. E na sua intimidade energética que se agregam as células, que se modelam os órgãos, proporcionando-lhes o funcionamento. Nele se expressam as manifestações da vida, durante o corpo físico e depois, por facultar o intercâmbio de natureza espiritual. É o condutor da energia que estabelece a duração da vida física, bem como e responsável pela memória das existências passadas que arquiva nas telas sutis do inconsciente atual, facultando lampejos ou recordações esporádicas das existências já vividas.
O filósofo escocês Woodsworth estudando-o, disse que é o Mediador plástico“através do qual passa a torrente de matéria fluente que destrói e reconstrói incessantemente o organismo vivo.”
Na sua estrutura de energia se localizam os distúrbios nervosos, que se transferem para o campo biológico e que procedem dos compromissos negativos das reencarnações passadas.
Igualmente ele responde pelas doenças congênitas, em razão das distonias morais que conduz de uma para outra vida. Por isso mesmo, trata-se de um organismo vivo e pulsante, sendo constituído por trilhões de corpos unicelulares rarefeitos, muito sensíveis, que imprimem nas suas intrincadas peças as atividades morais do Espírito, assinalando-as nos órgãos correspondentes quando das futuras reencarnações.
Veículo sutil e organizador, é o encarregado de fixar no organismo os traumas emocionais como as aspirações da beleza, da arte, da cultura, plasmando nos sentimentos as tendências e as possibilidades de realizá-las.
Graças à sua interpenetração nas moléculas que constituem o corpo, exterioriza, através deste, os fenômenos emocionais — carmas —, positivos ou não, que procedem do passado do indivíduo e se impõem como mecanismos necessários à evolução.
Comandado pelo Espírito mediante automatismos nas faixas menos evoluídas da Vida, pode ser dirigido consciente-mente, desde que se encontre liberado dos impositivos dos resgates dolorosos, no processo da aprendizagem compulsória.
Quanto mais o homem se espiritualiza, domando as más inclinações e canalizando as forças para as aspirações de enobrecimento e sublimação, mais sutis são as suas possibilidades plasmadoras, dando gênese a corpos sadios, emocional e moralmente, em razão do agente causal estar liberado das aflições e limites purificadores.
O amadurecimento psicológico proporciona ao indivíduo utilizar-se das aquisições morais, mentais e culturais para estimular-lhe os núcleos fomentadores de vida, alterando sempre para melhor a própria estrutura física e psíquica pelo irradiar de energias saudáveis, reconstruindo o organismo e utilizando-o com sabedoria para fruir da paz e da alegria de viver.

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