1 – Se tiveres amor

A religião dos espíritos – Emmanuel

Reunião pública de 5/1/59
Questão nº 887
Se tiveres amor, caminharás no mundo como alguém que transformou o próprio coração em chama divina a dissipar as trevas…
Encontrarás nos caluniadores almas invigilantes que a peçonha do mal entenebreceu, e relevarás toda ofensa com que te martirizem as horas…
Surpreenderás nos maldizentes criaturas desprevenidas que o veneno da crueldade enlouqueceu, e desculparás toda injúria com que te deprimam as esperanças…
Observarás no onzenário a vitima da ambição desregrada, acariciando a ignomínia da usura em que atormenta a si próprio, e no viciado o irmão que caiu voluntariamente na poça de fel em que arruína a si mesmo…
Reconhecerás a ignorância em toda manifestação contrária à justiça e descobrirás a miséria por fruto dessa mesma ignorância em toda parte onde o sofrimento plasma o cárcere da delinquência, o deserto do desespero, o inferno da revolta ou o pântano da preguiça…
e tiveres amor saberás, assim, cultivar o bem, a cada instante, para vencer o mal a cada hora…
E perceberás, então, como o Cristo fustigado na cruz, que os teus mais acirrados perseguidores são apenas crianças de curto entendimento e de sensibilidade enfermiça, que é preciso compreender e ajudar, perdoar e servir sempre, para que a glória do amor puro, ainda mesmo nos suplícios da morte, nos erga o espírito imperecível à bênção da vida eterna.

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Religião dos Espíritos

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Leitor amigo:

Temos aqui um livro diferente. Nem literatura, nem artifício. Nem propaganda, nem exegese. Simples comentário em torno da substância religiosa de “O Livro dos Espíritos”, em cujo texto fixou Allan Kardec a definição da Nova Luz. Desde muito, aspirávamos a realizá-lo, e isso, com a permissão do Senhor, nos foi possível, no curso das 91 sessões públicas para estudo da Doutrina Espírita, a que comparecemos, junto de nossos companheiros uberabenses, no transcurso de 1959, na sede da Comunhão Espírita Cristã, nesta Cidade. Em cada reunião, o texto para exame foi escolhido pelos nossos irmãos encarnados e, depois de apontamentos verbais entre eles, tecemos as modestas anotações aqui expostas, nem sempre nos restringindo, diante de circunstâncias especiais e imprevistas, ao tema em estudo. Algumas foram publicadas em “Reformador”, revista da nossa venerável “Federação Espírita Brasileira”, e algumas outras nos jornais “A Flama Espírita” e “Lavoura e Comércio”, folhas da cidade de Uberaba. Reunindo, porém, a totalidade de nossas humildes apreciações, neste volume, fizemos pessoalmente integral revisão de todas elas, assinalando-as com a ordem cronológica em que foram grafadas e na pauta das perguntas e respostas que “O Livro dos Espíritos” nos apresentava. Não temos, pois, outro objetivo que não seja demonstrar a nossa necessidade de estudo metódico da obra de Kardec, não só para lhe penetrarmos a essência redentora, como também para que lhe estendamos a grandeza em novas facetas do pensamento, na convicção de que outros companheiros de tarefa comparecerão à liça, suprindo-nos as deficiências naturais, com estudos mais altos dos temas renovadores trazidos ao mundo pelo apóstolo de Lião. E aguardando por essas contribuições, na sementeira da fé viva, cremos poder afirmar, com o titulo deste volume, que o primeiro livro da Codificação Kardequiana é manancial tão rico de valores morais para o caminho humano que bem pode ser considerado não apenas como revelação da Es fera Superior, mas igualmente como primeiro marco da Religião dos Espíritos, em bases de sabedoria e amor, a refletir o Evangelho, sob a inspiração de Nosso Senhor Jesus-Cristo.

EMMANUEL

Plantação espiritual

 EMMANUEL

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Numa só existência, podes viver diversas situações.

Num só dia, é possível a prática de atos numerosos.

Numa hora, apenas, tua mente pode criar múltiplos pensamentos.

Não olvides que todos nós estamos plantando espiritualmente no tempo.

Articula os acontecimentos que te rodeiam para o bem; insiste na projeção dos atos que te possam honrar e ajuda a ti mesmo, imaginando o que seja útil, edificante e belo.

Não é necessário perder o corpo no túmulo para que venhas a renascer.

Cada instante, quando queremos, pode ser o começo de gloriosa renovação, tanto quanto pode representar o início de quedas e equívocos deploráveis.

Auxilia a ti próprio, produzindo o bem.

Sem que percebas, vives invariavelmente nas vidas que te cercam.

Observa o que te trazem ao coração aqueles que te acompanham.

Se a mentira ou a aversão te visitam, não te esqueças de que constituem os frutos de tua própria plantação.

Cada criatura reflete, em si, aquilo que lhe damos ou impomos.

Nas alheias demonstrações para conosco, é possível analisar a qualidade de nossa sementeira.

Aprendamos, assim, a cultivar o auxílio fraterno, o trabalho construtivo, a concórdia santificante e a solidariedade fiel, através de todos os passos e de todos os minutos, porque o amanhã será resposta viva à nossa conduta de hoje, tanto quanto a bênção, ou a dor de agora, consubstanciam os resultados das nossas ações de ontem.

Caminha, iluminando a estrada com os recursos da bondade e da alegria, convicto de que a nossa família na Eternidade é constituída de nossas próprias obras, e desse modo, estarás organizando magníficos moldes espirituais para as tuas novas tarefas na elevação, ou na reencarnação, em futuro próximo.

Orientação extraída do livro “Relicário de Luz”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, edição FEB.

A AMIZADE

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A amizade é o sentimento que imanta as almas umas às outras, gerando alegria e bem-estar.
A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.
Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!
O egoísmo afasta as pessoas e as isola.
A amizade as aproxima e irmana.
O medo agride as almas e infelicita.
A amizade apazigua e alegra os indivíduos.
A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.
Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.
Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.
Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam.
Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.
Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.
Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.
Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.
A amizade é fácil de ser vitalizada.
Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez.
Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.
Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.
A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.

(Divaldo Pereira Franco por Joanna de Ângelis. In: Momentos de Esperança)
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O Homem Integral

ÍNDICE

introdução

PRIMEIRA PARTE
CAPÍTULO 1 = FATORES DE PERTUBAÇÃO
CAPÍTULO 2 = A rotina
CAPÍTULO 3 = A ansiedade
CAPÍTULO 4 = Medo
CAPÍTULO 5 = Solidão
CAPÍTULO 6 = Liberdade
SEGUNDA PARTE – ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS
CAPÍTULO 7 = Homens-aparência
CAPÍTULO 8 = Fobia social
CAPÍTULO 9 = Ódio e suicídio
CAPÍTULO 10 = Mitos
TERCEIRA PARTE – A BUSCA DA REALIDADE
CAPÍTULO 11 = Auto-descobrimento
CAPÍTULO 12 = Consciência ética
CAPÍTULO 13 = Religião e religiosidade
QUARTA PARTE – O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO
CAPÍTULO 14 = Insegurança e crises
CAPÍTULO 15 = Conflitos degenerativos da sociedade
CAPÍTULO 16 = O primeiro lugar e o homem indispensável
QUINTA PARTE – DOENÇAS CONTEMPORÂNEAS
CAPÍTULO 17 = O conceito de saúde
CAPÍTULO 18 = Os comportamentos neuróticos
CAPÍTULO 19 = Doenças físicas e mentais
CAPÍTULO 20 = A tragédia do cotidiano
CAPÍTULO 21 = O homem moderno
SEXTA PARTE – MATURIDADE PSICOLÓGICA
CAPÍTULO 22 = Mecanismos de evasão
CAPÍTULO 23 = O problema do espaço
CAPÍTULO 24 = A reconquista da identidade
CAPÍTULO 25 = Ter e ser
CAPÍTULO 26 = Observador, observação e observado
CAPÍTULO 27 = O devir psicológico
SÉTIMA PARTE – PLENIFICAÇÃO INTERIOR
CAPÍTULO 28 = Problemas sexuais
CAPÍTULO 29 = Relacionamentos perturbadores
CAPÍTULO 30 = Manutenção de propósitos
CAPÍTULO 31 = Leis cármicas e felicidade
OITAVA PARTE – O HOMEM PERANTE A CONSCIÊNCIA
CAPÍTULO 32 = Nascimento da consciência
CAPÍTULO 33 = Os sofrimentos humanos
CAPÍTULO 34 = Recursos para a liberação dos sofrimentos
CAPÍTULO 35 = Meditação e ação
NONA PARTE – O FUTURO DO HOMEM
CAPÍTULO 36 = A morte e seu problema
CAPÍTULO 37 = A controvertida comunicação dos Espíritos
CAPÍTULO 38 = O modelo organizador biológico
CAPÍTULO 39 = A reencarnação

O Homem Integral – 39

A reencarnação

Destituída de finalidade seria a vida que se diluísse na tumba, como efeito do fenômeno da morte. Diante de todas as transformações que se operam nos campos da realidade objetiva, como das alterações que se processam na área da energia, seria utópico pensar-se que a fatalidade do existir é o aniquilamento.
Embora as disjunções moleculares e as modificações na forma, tudo se apresenta em contínuo vir-a-ser, num intérmino desintegrar-se — reintegrando-se —, que oferece, à Vida, um sentido de eternidade, além e antes do tempo, conforme as limitadas dimensões que lhe conferimos.
Nesse sentido, especificamente, o complexo humano apresenta-se através de faixas de movimentação instável, qual ocorre com o corpo; em mecanismos de sutilização, o perispírito; e de aprimoramento, quando se trata do Espírito, este último, aliás, inquestionavelmente imortal.
A aquisição da consciência é o resultado de um processo incessante, através do qual o psiquismo se agiganta desde o sono, na força aglutinadora das moléculas, no mineral; à sensibilidade, no vegetal; ao instinto, no animal; e à inteligência, à razão, no homem. Nesta jornada automática, funcionam as inapeláveis Leis da Evolução, em a Natureza, defluentes da Criação.
Chegando ao patamar humano, esse psiquismo, de início rudimentarmente pensante, atravessa inúmeras experiências pessoais, que o tornam herdeiro de si mesmo, em um encadeamento de aprendizagens pelo mergulho no corpo e abandono dele, toda vez que se rompam os liames que retêm a individualidade.
Este processo de renascimentos, que os gregos denominavam de palingenésico, constitui um avançado sistema de crescimento intelecto-moral, fomentador da felicidade.
Graças a ele, a existência humana se reveste de dignidade e de relevantes objetivos que não podem ser interrompidos. Toda vez que surge um impedimento, que se opera um transtorno ou sucede uma aparente cessação, a oportunidade ressurge e o recomeço se estabelece, facultando ao aprendiz o crescimento que parecia terminado.
Face a este mecanismo, os fenômenos psicológicos apresentam-se em encadeamentos naturais, e elucidam-se inumeráveis patologias psíquicas e físicas, distúrbios de comportamento, diferenças emocionais, intelectuais e variados acontecimentos, nas áreas sociológica, econômica, antropológica, ética, etc.
O processamento da aquisição intelectual faz-se ao largo das experiências de  aprendizagem, mediante as quais o Eu consciente adiciona conteúdos culturais, ao mesmo tempo que desenvolve as aptidões jacentes, para as diversas categorias da técnica, da arte, da ética, num incessante aprimoramento de valores.
A anterioridade do Espírito ao corpo, brinda-lhe maior soma de conhecimentos do que os apresentados pelos principiantes no desiderato físico.
A genialidade de que uns indivíduos são portadores, em detrimento dos limites que se fazem presentes em outros seres do mesmo gene, demonstra que os psiquismos aí expressos diferem em capacidade e lucidez.
Embora herdeiro dos caracteres da raça — aparência, morfologia, cabelos, olhos, etc. —, os valores psicológicos, intelecto-morais não são transmissíveis pelos genes e cromossomos, antes, são atributos da individualidade eterna, que transfere de uma para outra existência corporal o somatório das suas conquistas salutares ou perturbadoras.
Não há como negar-se a influência genética na evolução do ser, os impositivos do meio, dos costumes e dos hábitos, entretanto, impende observar que o corpo reproduz o corpo, não a mente, a consciência, que só o Espírito exterioriza.
A introdução do conceito reencarnacionista na Psicologia dá-lhe dimensão invulgar, esclarecimento das dificuldades na argumentação em torno do Inconsciente, dos arquétipos, individual e coletivo, estudando o homem em toda a sua complexidade profunda e, mediante a identificação do seu passado, facultando-lhe o descobrimento e utilização das suas possibilidades, do seu vir-a-ser.
Nos alicerces do Inconsciente profundo encontram-se os extratos das memórias pretéritas, ditando comportamentos atuais, que somente uma análise regressiva consegue detectar, eliminando os conteúdos perturbadores, que respondem por várias alienações mentais.
No capítulo dos impulsos e compulsões psicológicas, o passado espiritual exerce uma predominância irrefreável, que leva aos grandes rasgos do devotamento e da abnegação, quanto à delinqüência, à agressividade, à multiplicidade de personificações parasitárias, mesmo excluindo-se a hipótese das obsessões.
Na imensa panorâmica dos distúrbios mentais, especialmente nas esquizofrenias, destacam-se as interferências constritoras dos desencarnados que se estribam nas leis da cobrança pessoal, certamente injustificáveis, para desforçar-se dos sofrimentos que lhes foram anteriormente infligidos, em outras existências, pelas vítimas atuais.
Diante das ocorrências do déjà-vu, os remanescentes reencarnacionistas estabelecem parâmetros sutis de lembranças que retornam à consciência atual como lampejos e clichês de evocações, ressumando dos conteúdos da inconsciência — ou da memória extracerebral, do perispírito — oferecendo possibilidades de identificação de pessoas, acontecimentos, lugares e narrativas já vividos, já conhecidos, antes experimentados… Desfilam, então, os fenômenos psicológicos das simpatias e das antipatias, dos amores alucinantes e dos ódios devoradores, que ressurgem dos arquivos da memória anterior ante o estímulo externo de qualquer natureza, que os desencadeiam, tais: um encontro ou reencontro; uma associação de idéias — a atual revelando a passada — uma dissensão ou um diálogo; qualquer elemento que constitua ponte de ligação entre o hoje e o ontem.  Excetuando-se os conflitos que têm sua psicogênese na vida atual, a expressiva maioria deles procede das jornadas infelizes do ser eterno, herdeiro de si mesmo, que transfere as fobias, insatisfações, consciência de culpa, complexos, dramas pessoais, de uma para outra reencarnação através de automatismos psicológicos, responsáveis pelo equilíbrio das Leis que governam a Vida.
Diante de tais acontecimentos, considerando-se os fenômenos místicos, as ocorrências paranormais. os êxtases naturais e os provocados, aos quais a Psicologia organicista dava gêneses patológicas, nasceu, mais ou menos recentemente, a denominada quarta força em Psicologia — sucedendo (ou completando) o Behaviorismo, a Psicanálise e a Psicologia Humanista —, que é a Escola Transpessoal. Entretanto, já no começo do século, Burcke, desejando enquadrar em uma só denominação estes e outros eventos psicológicos, cunhou o conceito de consciência cósmico, a fim de os situar em um só capítulo, tornando-se, de alguma forma, pioneiro, na área da Psicologia Transpessoal, que abrange, entre outras, as percepções extra-sensoriais, além da área da consciência.
Nesta conceituação, a morte é fenômeno biológico a transferir o ser de uma para outra realidade, sem consumpção da vida.
O ser humano, diante da visão nova e transpessoal, deixa de ser a massa, apenas celular, para tornar-se um complexo com predominância do princípio eterno. A decisiva contribuição dos seus pioneiros, entre os quais, Maslow, Assagioli — com a sua Psicossíntese —, Sutich, Wilber, Grof e outros, oferece excelentes recursos para a psicoterapia, liberando a maioria dos pacientes dos seus conflitos e problemas que desestruturam a personalidade.
Neste admirável amálgama da integração dos mais importantes Insights das Doutrinas psicológicas do Ocidente com as Tradições Esotéricas do Oriente, agiganta-se o Espiritismo, pioneiro de uma Psicologia Espiritualista dedicada ao conhecimento do homem integral, na sua valiosa complexidade — Espírito, perispírito e matéria — ampliando os horizontes da vida orgânica, a se desdobrarem além do túmulo e antes do corpo, com infinitas possibilidades de progresso, no rumo da perfeição.

O Homem Integral -38

O modelo organizador biológico

O homem é, deste modo, um conjunto de elementos que se ajustam e interpenetram, a fim de condensar-se em uma estrutura biológica, assim formado pelo Espírito — ser eterno, preexistente e sobrevivente ao corpo somático —, o perispírito — também chamado modelo organizador biológico, que é o “princípio intermediário, substância semi-material que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tais, num fruto, o germe, o perisperma e a casca”— e o corpo — que é o envoltório material.
Estes elementos mantêm um inter-relacionamento profundo com os respectivos planos do Universo.
O perispírito, também denominado corpo astral, é constituído de vários tipos de fluidos (energia) ou de matéria hiperfísica, sendo o laço que une o Espírito ao corpo somático.
Multimilenarmente conhecido, atravessou a História sob denominações variadas. Hipócrates, por exemplo, chamava-o Enormon, enquanto Plotino o identificava como Corpo Aéreo ou Ígneo. Tertuliano o indicava como Corpo Vital da Alma, Orígenes como Aura, quiçá inspirados no apóstolo Paulo que o referia como Corpo Espiritual e Corpo Incorruptível. No Vedanta ele aparece como Manontaya- Kosha e no Budismo Esotérico é designado por Kainarupa. Os egípcios diziam-no Ka e o Zend Avesta aponta-o por Baodhas, a Cabala hebraica por Rouach. É o Eidôlon do Tradicionalismo grego, o miago dos latinos, o Khi dos chineses, o Corpo sutil e etéreo de Aristóteles… Confúcio igualmente o identificou, chamando-o Corpo Aeriforme e Leibnitz qualificou-o de Corpo fluídico… As variadas épocas da Humanidade defrontaram-no e por outras denominações ele passou a ser aceito.
De importância máxima no complexo humano, é o moderno Modelo organizador biológico, que se encarrega de plasmar no corpo físico as necessidades morais evolutivas, através dos genes e cromossomos, pois que, indestrutível, eteriza-se e se purifica durante os processos reencarnatórios elevados.
Pode-se dizer, que ele é o esboço, o modelo, a forma em que se desenvolve o corpo físico. E na sua intimidade energética que se agregam as células, que se modelam os órgãos, proporcionando-lhes o funcionamento. Nele se expressam as manifestações da vida, durante o corpo físico e depois, por facultar o intercâmbio de natureza espiritual. É o condutor da energia que estabelece a duração da vida física, bem como e responsável pela memória das existências passadas que arquiva nas telas sutis do inconsciente atual, facultando lampejos ou recordações esporádicas das existências já vividas.
O filósofo escocês Woodsworth estudando-o, disse que é o Mediador plástico“através do qual passa a torrente de matéria fluente que destrói e reconstrói incessantemente o organismo vivo.”
Na sua estrutura de energia se localizam os distúrbios nervosos, que se transferem para o campo biológico e que procedem dos compromissos negativos das reencarnações passadas.
Igualmente ele responde pelas doenças congênitas, em razão das distonias morais que conduz de uma para outra vida. Por isso mesmo, trata-se de um organismo vivo e pulsante, sendo constituído por trilhões de corpos unicelulares rarefeitos, muito sensíveis, que imprimem nas suas intrincadas peças as atividades morais do Espírito, assinalando-as nos órgãos correspondentes quando das futuras reencarnações.
Veículo sutil e organizador, é o encarregado de fixar no organismo os traumas emocionais como as aspirações da beleza, da arte, da cultura, plasmando nos sentimentos as tendências e as possibilidades de realizá-las.
Graças à sua interpenetração nas moléculas que constituem o corpo, exterioriza, através deste, os fenômenos emocionais — carmas —, positivos ou não, que procedem do passado do indivíduo e se impõem como mecanismos necessários à evolução.
Comandado pelo Espírito mediante automatismos nas faixas menos evoluídas da Vida, pode ser dirigido consciente-mente, desde que se encontre liberado dos impositivos dos resgates dolorosos, no processo da aprendizagem compulsória.
Quanto mais o homem se espiritualiza, domando as más inclinações e canalizando as forças para as aspirações de enobrecimento e sublimação, mais sutis são as suas possibilidades plasmadoras, dando gênese a corpos sadios, emocional e moralmente, em razão do agente causal estar liberado das aflições e limites purificadores.
O amadurecimento psicológico proporciona ao indivíduo utilizar-se das aquisições morais, mentais e culturais para estimular-lhe os núcleos fomentadores de vida, alterando sempre para melhor a própria estrutura física e psíquica pelo irradiar de energias saudáveis, reconstruindo o organismo e utilizando-o com sabedoria para fruir da paz e da alegria de viver.